Princípios de Bom Governo

Princípios de Bom Governo

O Regulamento Interno do CHS foi ratificado pelo Conselho de Administração a 21 de Setembro de
2006, tendo sido homologado pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo em 13
de Fevereiro de 2007. Foi efetuada a 1ª revisão ao mesmo em 11 de Novembro de 2011.
O Código de Ética do CHS aprovado por despacho do Conselho de Administração a 7 de Outubro de
2009 (disponível em http://www.chs.min-saude.pt ), é composto por duas partes, a primeira
enunciando princípios e valores, e uma segunda respeitante ao Código de Conduta, relativo a
comportamentos esperados e promovidos na instituição. No global, o objetivo da Código de Ética do
CHS é a definição dos princípios de ética essenciais que se pretende constituam pontos de
referência, que orientem a tomada de decisão. Na sequência desta formulação visa-se consolidar
relações de confiança com os clientes internos e externos, clarificar as regras de conduta e explicitá-
las aos cidadãos bem como cimentar a vivência e a partilha de princípios e valores comuns.
Ainda neste âmbito, o CHS possui um conjunto de manuais e respetivos procedimentos referentes,
entre outros, a auditoria interna, clínica e não clínica, a gestão do risco, clínico e geral, a segurança
de pessoas (doentes, utentes e profissionais) e bens, a admissão, acolhimento, estadia e alta dos
doentes, a gestão dos resíduos, o tratamento, transmissão e divulgação da informação, a formação e
investigação.

(Mais Informação)

Princípios de Bom Governo

Estatutos – Hospitais, Centros Hospitalares e Institutos
Portugueses de Oncologia, E.P.E.

Anexo II ao Decreto-Lei n.º 18/2017, de 10 de fevereiro

CAPÍTULO I
Princípios gerais
Artigo 1.º
Natureza e duração
1 — O hospital E. P. E., o centro hospitalar E. P. E., e o instituto português de oncologia,
doravante designados por hospital E. P. E., é uma pessoa coletiva de direito público de
natureza empresarial dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, nos termos
do regime jurídico do setor público empresarial
2 — O hospital E. P. E., é constituído por tempo indeterminado.

Artigo 2.º
Objeto
1 — O hospital E. P. E., tem por objeto principal a prestação de cuidados de saúde, a todos os
cidadãos em geral, designadamente:
a) Aos utentes do Serviço Nacional de Saúde;
b) Às entidades externas que com ele contratualizem a prestação de cuidados de saúde;
c) Aos cidadãos estrangeiros não residentes no âmbito da legislação nacional e internacional
em vigor.
2 — O hospital E. P. E., tem, também, por objeto desenvolver atividades de investigação,
formação e ensino, sendo a sua participação na formação de profissionais de saúde
dependente da respetiva capacidade formativa, podendo ser objeto de contratos -programa em
que se definam as respetivas formas de financiamento.

Artigo 3.º
Atribuições
As atribuições do hospital E. P. E., constam dos seus regulamentos internos, são fixadas de
acordo com a política de saúde a nível nacional e regional e com os planos estratégicos
superiormente aprovados e são desenvolvidas através de contratos -programa, em articulação
com as atribuições das demais instituições do sistema de saúde.

Artigo 4.º
Capital estatutário
1 — O capital estatutário do hospital E. P. E., é o fixado no anexo I do decreto-lei que aprova
os presentes Estatutos.
2 — O capital estatutário é detido pelo Estado e é aumentado ou reduzido por despacho do
membro do Governo responsável pela área das finanças.

CAPÍTULO II
Órgãos
Artigo 5.º
Órgãos
São órgãos do hospital E. P. E:
a) O conselho de administração;
b) O conselho fiscal, o revisor oficial de contas ou uma sociedade de revisores oficiais de
contas, caso se encontrem abrangidas pelo regime constante da Lei n.º 148/2015, de 9 de
setembro; ou
c) O fiscal único; e
d) O conselho consultivo.
SECÇÃO I
Conselho de administração

Artigo 6.º
Composição e mandato
1 — O conselho de administração é composto pelo presidente e um máximo de quatro vogais,
que exercem funções executivas, em função da dimensão e complexidade do hospital E. P. E.,
incluindo um diretor clínico, um enfermeiro-diretor e um vogal proposto pelo membro do
Governo responsável pela área das finanças.
2 — Os membros do conselho de administração são designados de entre individualidades que
reúnam os requisitos previstos no Estatuto do Gestor Público e possuam preferencialmente
evidência curricular de formação específica em gestão em saúde e experiência profissional
adequada, sendo o diretor clínico um médico, e o enfermeiro –diretor, um enfermeiro.
3 — A designação dos membros do conselho de administração observa o disposto nos artigos
12.º e 13.º do Estatuto do Gestor Público.
4 — O mandato dos membros do conselho de administração tem a duração de três anos
renovável, uma única vez, permanecendo aqueles no exercício das suas funções até
designação dos novos titulares, sem prejuízo da renúncia a que houver lugar.

Artigo 7.º
Competências do conselho de administração
1 — Compete ao conselho de administração garantir o cumprimento dos objetivos básicos,
bem como o exercício de todos os poderes de gestão que não estejam reservados a outros
órgãos, e em especial:
a) Propor os planos de atividades anuais e plurianuais e respetivos orçamentos, bem como os
demais instrumentos de gestão previsional legalmente previstos, e assegurar a respetiva
execução;
b) Celebrar contratos -programa externos e internos;
c) Definir as linhas de orientação a que devem obedecer a organização e o funcionamento do
hospital E. P. E., nas áreas clínicas e não clínicas, de novos serviços, sua extinção ou
modificação;
d) Definir as políticas referentes a recursos humanos, incluindo as remunerações dos
trabalhadores e dos titulares dos cargos de direção e chefia;
e) Autorizar a realização de trabalho extraordinário e de prevenção dos trabalhadores do
hospital E. P. E., independentemente do seu estatuto, bem como autorizar o respetivo
pagamento;
f) Designar o pessoal para cargos de direção e chefia;
g) Aprovar o regulamento disciplinar do pessoal e as condições de prestação e disciplina do
trabalho;
h) Apresentar os documentos de prestação de contas, nos termos definidos na lei;
i) Aprovar e submeter a homologação do membro do Governo responsável pela área da saúde
o regulamento interno e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares aplicáveis;
j) Decidir sobre a realização de ensaios clínicos e terapêuticos, ouvida a comissão de ética,
sem prejuízo do cumprimento das disposições aplicáveis;
k) Acompanhar e avaliar sistematicamente a atividade desenvolvida pelo hospital E. P. E.,
designadamente responsabilizando os diferentes setores pela utilização dos meios postos
sua disposição e pelos resultados atingidos, nomeadamente em termos da qualidade dos
serviços prestados;
l) Tomar conhecimento e determinar as medidas adequadas, se for caso disso, sobre as
queixas e reclamações apresentadas pelos utentes;
m) Decidir sobre a admissão e gestão do pessoal;
n) Autorizar a aplicação de todas as modalidades de regimes de trabalho legalmente
admissíveis;
o) Exercer a competência em matéria disciplinar prevista na lei, independentemente da relação
jurídica de emprego;
p) Acompanhar a execução do orçamento, aplicando as medidas destinadas a corrigir os
desvios em relação às previsões realizadas;
q) Assegurar a regularidade da cobrança das dívidas e autorizar a realização e o pagamento
da despesa do hospital E. P. E.;
r) Tomar as providências necessárias à conservação do património afeto ao desenvolvimento
da sua atividade e autorizar as despesas inerentes, previstas no plano de investimentos.
2 — Sem prejuízo do disposto no número anterior e em normas especiais, o conselho de
administração detém, ainda, as competências legalmente atribuídas aos titulares dos cargos de
direção superior do 1.º grau da administração central do Estado, relativamente aos
trabalhadores da Administração Pública.
3 — O conselho de administração pode delegar as suas competências nos seus membros ou
demais pessoal de direção e chefia, incluindo os diretores dos Centros de Responsabilidade
Integrada, com exceção das previstas nas alíneas a) a j) do n.º 1, definindo em ata os limites e
condições do seu exercício.

Artigo 8.º
Presidente do conselho de administração
1 — Compete ao presidente do conselho de administração:
a) Coordenar a atividade do conselho de administração e dirigir as respetivas reuniões;
b) Garantir a correta execução das deliberações do conselho de administração;
c) Submeter a aprovação ou a autorização dos membros do Governo competentes todos os
atos que delas careçam;
d) Representar o hospital E. P. E., em juízo e fora dele e em convenção arbitral, podendo
designar mandatários para o efeito constituídos;
e) Exercer as competências que lhe sejam delegadas.
2 — O presidente do conselho de administração é substituído nas suas ausências e
impedimentos pelo vogal por si designado.

Artigo 9.º
Diretor clínico
Ao diretor clínico compete a direção de produção clínica do hospital E. P. E., que compreende
a coordenação da assistência prestada aos doentes e a qualidade, correção e prontidão dos
cuidados de saúde prestados, designadamente:
a) Coordenar a elaboração dos planos de ação apresentados pelos vários serviços e
departamentos de ação médica a integrar no plano de ação global do hospital;
b) Assegurar uma integração adequada da atividade médica dos departamentos e serviços,
designadamente através de uma utilização não compartimentada da capacidade instalada;
c) Propor medidas necessárias à melhoria das estruturas organizativas, funcionais e físicas dos
serviços de ação médica, dentro de parâmetros de eficiência e eficácia reconhecidos, que
produzam os melhores resultados face às tecnologias disponíveis;
d) Aprovar as orientações clínicas relativas à prescrição de medicamentos e meios
complementares de diagnóstico e terapêutica, bem como os protocolos clínicos adequados às
patologias mais frequentes, respondendo perante o conselho de administração pela sua
adequação em termos de qualidade e de custo-benefício;
e) Propor ao conselho de administração a realização, sempre que necessário, da avaliação
externa do cumprimento das orientações clínicas e protocolos mencionados, em colaboração
com a Ordem dos Médicos e instituições de ensino médico e sociedades científicas;
f) Desenvolver a implementação de instrumentos de garantia de qualidade técnica dos
cuidados de saúde, em especial no que diz respeito aos indicadores de desempenho
assistencial e segurança dos doentes, reportando e propondo correção em caso de desvios;
g) Decidir sobre conflitos de natureza técnica entre serviços de ação médica;
h) Decidir as dúvidas que lhe sejam presentes sobre deontologia médica, desde que não seja
possível o recurso, em tempo útil, à comissão de ética;
i) Participar na gestão do pessoal médico, designadamente nos processos de admissão e
mobilidade interna, ouvidos os respetivos diretores de serviço;
j) Velar pela constante atualização do pessoal médico;
k) Acompanhar e avaliar sistematicamente outros aspetos relacionados com o exercício da
medicina e com a formação dos médicos.

Artigo 10.º
Enfermeiro-diretor
Compete ao enfermeiro-diretor a coordenação técnica da atividade de enfermagem do hospital
E. P. E., velando pela sua qualidade, e, sem prejuízo do disposto em sede do regulamento
interno, designadamente:
a) Coordenar a elaboração dos planos de ação de enfermagem apresentados pelos vários
serviços a integrar no plano de ação global do hospital E. P. E.;
b) Colaborar com o diretor clínico na compatibilização dos planos de ação dos diferentes
serviços de ação médica;
c) Contribuir para a definição das políticas ou diretivas de formação e investigação em
enfermagem;
d) Definir padrões de cuidados de enfermagem e indicadores de avaliação dos cuidados de
enfermagem prestados;
e) Elaborar propostas referentes à gestão do pessoal de enfermagem, designadamente
participar no processo de admissão e de mobilidade dos enfermeiros;
f) Promover e acompanhar o processo de avaliação do pessoal de enfermagem;
g) Propor a criação de um sistema efetivo de classificação de utentes que permita determinar
necessidades em cuidados de enfermagem e zelar pela sua manutenção;
h) Elaborar estudos para determinação de custos e benefícios no âmbito dos cuidados de
enfermagem;
i) Acompanhar e avaliar sistematicamente outros aspetos relacionados com o exercício da
atividade de enfermagem e com a formação dos enfermeiros.

Artigo 11.º
Funcionamento do conselho de administração
1 — O conselho de administração reúne, pelo menos, semanalmente e, ainda, sempre que
convocado pelo presidente ou por solicitação de dois dos seus membros ou do órgão de
fiscalização.
2 — As regras de funcionamento do conselho de administração são fixadas pelo próprio
conselho na sua primeira reunião e constam do regulamento interno do hospital E. P. E.
3 — O presidente do conselho de administração tem voto de qualidade.
4 — Das reuniões do conselho de administração devem ser lavradas atas, a aprovar na
reunião seguinte.

Artigo 12.º
Vinculação
O hospital E. P. E., obriga -se pela assinatura, com indicação da qualidade, de dois membros
do conselho de administração ou de quem esteja legitimado para o efeito, nos termos do n.º 3
do artigo 7.º.

Artigo 13.º
Estatuto dos membros
1 — Aos membros do conselho de administração aplica-se o Estatuto do Gestor Público, sem
prejuízo do disposto nos presentes Estatutos e no respetivo diploma de aprovação.
2 — O membro do conselho de administração, que exerce as funções de diretor clínico, pode,
a título excecional e no âmbito do mesmo estabelecimento de saúde, cujo órgão máximo
integra, exercer atividade médica, de natureza assistencial, de forma remunerada, mediante
autorização, por despacho do membro do Governo responsável pela área da saúde.
3 — A remuneração prevista no número anterior corresponde a uma percentagem da
remuneração da respetiva categoria correspondente ao lugar ou posto de trabalho de origem,
calculada em função do número de horas semanais efetivamente prestadas, não podendo
exceder 50 % da remuneração que compete ao exercício de funções de gestão.
4 — Caso o médico não esteja integrado na carreira especial médica a remuneração prevista
no número anterior tem por referência a primeira posição remuneratória da categoria de
assistente graduado e é calculada em função do número de horas semanais efetivamente
prestadas, não podendo exceder 50 % da remuneração que compete ao exercício de funções
de gestão.
5 — O exercício da atividade médica prevista no n.º 3 depende de requerimento do interessado
e da verificação de comprovado interesse para o serviço.

Artigo 14.º
Dissolução do conselho de administração
Para além das situações previstas no n.º 1 do artigo 24.º do Estatuto do Gestor Público, o
conselho de administração pode ser dissolvido em caso de grave deterioração da qualidade
dos serviços prestados, quando não for provocada por razões alheias, quando não for
provocada por razões alheias ao exercício das funções pelos gestores.

SECÇÃO II
Órgão de fiscalização
Artigo 15.º
Conselho fiscal e revisor oficial de contas
1 — Nas E. P. E., abrangidas pelo regime constante da Lei n.º 148/2015, de 9 de setembro a
fiscalização e controlo da legalidade da gestão financeira e patrimonial é exercida por um
conselho fiscal e por um revisor oficial de contas ou por uma sociedade de revisores oficiais de
contas que não seja membro daquele órgão, obrigatoriamente de entre os auditores registados
na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
2 — O conselho fiscal é constituído por três membros efetivos e por um suplente, sendo um
deles o presidente do órgão.
3 — Os membros do conselho fiscal são nomeados por despacho dos membros do Governo
responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde, por um período de três anos, renovável por
uma única vez.
4 — O revisor oficial de contas é nomeado por despacho conjunto dos membros do Governo
responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde, sob proposta fundamentada do Conselho
Fiscal, tendo o mandato a duração de três anos, renovável por uma única vez.
5 — A remuneração do conselho fiscal é fixada no despacho a que se refere o n.º 3, atendendo
ao grau de complexidade e de exigência inerente ao exercício do respetivo cargo e tendo em
conta os critérios de classificação do hospital E. P. E., fixados na resolução do Conselho de
Ministros a que se refere o n.º 4 do artigo 28.º do Estatuto do Gestor Público.
6 — Cessando o mandato do conselho fiscal e do revisor oficial de contas, mantém -se os
titulares em exercício de funções até à designação de novos ou à declaração ministerial de
cessação de funções.

Artigo 16.º
Competências
1 — O conselho fiscal tem as competências, os poderes e os deveres estabelecidos na lei e
nos presentes Estatutos.
2 — Ao conselho fiscal compete, especialmente, sem prejuízo das demais competências que
lhe sejam atribuídas por lei:
a) Dar parecer sobre o relatório de gestão;
b) Acompanhar com regularidade a gestão através de balancetes e mapas demonstrativos da
execução orçamental;
c) Manter o conselho de administração informado sobre os resultados das verificações e dos
exames a que proceda;
d) Propor a realização de auditorias externas, quando tal se mostre necessário ou conveniente;
e) Pronunciar -se sobre qualquer outro assunto em matéria de gestão económica e financeira
que seja submetido à sua consideração pelo conselho de administração;
f) Dar parecer sobre a aquisição, arrendamento, alienação e oneração de bens imóveis;
g) Dar parecer sobre a realização de investimentos e a contração de empréstimos;
h) Elaborar relatórios da sua ação fiscalizadora, incluindo um relatório anual global;
i) Pronunciar -se sobre assuntos que lhe sejam submetidos pelo conselho de administração,
pelo Tribunal de Contas e pelas entidades que integram o controlo estratégico do sistema de
controlo interno da administração financeira do Estado.
3 — Compete ao revisor oficial de contas o dever de proceder a todos os exames e
verificações necessários à revisão e certificação legais das contas, bem como exercer as
seguintes funções:
a) Verificar da regularidade dos livros, registos contabilísticos e documentos que lhe servem de
suporte;
b) Verificar, quando o julgue conveniente e pela forma que entenda adequada, a extensão da
caixa e as existências de qualquer espécie de bens ou valores pertencentes à empresa ou por
ela recebidos em garantia, depósito ou outro título;
c) Verificar a exatidão dos documentos de prestação de contas;
d) Verificar se os critérios valorimétricos adotados pelo hospital E. P. E., conduzem a uma
correta avaliação do património e dos resultados.
4 — Com base nos relatórios trimestrais elaborados pelo conselho de administração, o
conselho fiscal e o revisor oficial de contas devem emitir um relatório sucinto que reflita os
controlos efetuados e as eventuais anomalias detetadas, bem como os eventuais desvios
verificados em relação aos orçamentos e a identificação das respetivas causas, o qual deve ser
enviado aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde.
5 — Com base na proposta de plano de atividades e orçamento apresentada pelo conselho de
administração, o conselho fiscal e o revisor oficial de contas devem emitir um relatório e
parecer ao mesmo, o qual deve ser enviado aos membros do Governo responsáveis pelas
áreas das finanças e da saúde.

Artigo 17.º
Fiscal único
1 — O fiscal único é o órgão responsável pelo controlo da legalidade, da regularidade e da boa
gestão financeira e patrimonial do hospital E. P. E.
2 — O fiscal único é designado por despacho do membro do Governo responsável pela área
das finanças, obrigatoriamente de entre os auditores registados na Comissão do Mercado de
Valores Mobiliários.
3 — O fiscal único não pode ter exercido atividades remuneradas no próprio hospital E. P. E.,
ou nas entidades de direito privado por este participadas, nos últimos três anos antes do início
das suas funções, e não pode exercer atividades remuneradas no hospital E. P. E., fiscalizado
ou nas entidades de direito privado acima referidas, durante o período de duração do seu
mandato, bem como nos três anos subsequentes ao termo das suas funções.
4 — O mandato do fiscal único tem a duração de três anos, renovável apenas uma vez.
5 — O fiscal único tem um suplente, que observa o disposto nos números anteriores.
6 — Cessando o mandato, o fiscal único mantém -se em exercício de funções até
designação de novo titular ou à declaração ministerial de cessação de funções.
7 — A remuneração do fiscal único é fixada no despacho a que se refere o n.º 2, atendendo ao
grau de complexidade e de exigência inerente ao exercício do respetivo cargo e tendo em
conta os critérios de classificação do hospital E. P. E., fixados na resolução do Conselho de
Ministros a que se refere o n.º 4 do artigo 28.º do Estatuto do Gestor Público.

Artigo 18.º
Competências
1 — O fiscal único tem as competências, os poderes e os deveres estabelecidos na lei e nos
presentes Estatutos.
2 — Ao fiscal único compete, especialmente:
a) Verificar a regularidade dos livros, registos contabilísticos e documentos que lhe servem de
suporte;
b) Dar parecer sobre o relatório de gestão do exercício e certificar as contas;
c) Acompanhar com regularidade a gestão através de balancetes e mapas demonstrativos da
xecução orçamental;
d) Manter o conselho de administração informado sobre os resultados das verificações e dos
exames a que proceda;
e) Propor a realização de auditorias externas, quando tal se mostre necessário ou conveniente;
f) Pronunciar -se sobre qualquer outro assunto em matéria de gestão económica e financeira
que seja submetido à sua consideração pelo conselho de administração;
g) Dar parecer sobre a aquisição, arrendamento, alienação e oneração de bens imóveis;
h) Dar parecer sobre a realização de investimentos e a contração de empréstimos;
i) Elaborar relatórios da sua ação fiscalizadora, incluindo um relatório anual global;
j) Elaborar relatórios sobre os relatórios trimestrais de execução orçamental;
k) Pronunciar -se sobre assuntos que lhe sejam submetidos pelo conselho de administração,
pelo Tribunal de Contas e pelas entidades que integram o controlo estratégico do sistema de
controlo interno da administração financeira do Estado;
l) Verificar se os critérios valorimétricos adotados pelo hospital E. P. E., conduzem a uma
correta avaliação do património e dos resultados.

SECÇÃO III
Serviço de auditoria interna
Artigo 19.º
Serviço de auditoria interna
1 — Ao serviço de auditoria interna compete a avaliação dos processos de controlo interno e
de gestão de riscos, nos domínios contabilístico, financeiro, operacional, informático e de
recursos humanos, contribuindo para o seu aperfeiçoamento contínuo.
2 — Ao serviço de auditoria interna compete em especial:
a) Fornecer ao conselho de administração análises e recomendações sobre as atividades
revistas para melhoria do funcionamento dos serviços;
b) Receber as comunicações de irregularidades sobre a organização e funcionamento do
hospital E. P. E., apresentadas pelos demais órgãos estatutários, trabalhadores,
colaboradores, utentes e cidadãos em geral;
c) Elaborar o plano anual de auditoria interna;
d) Elaborar anualmente um relatório sobre a atividade desenvolvida, em que se refiram os
controlos efetuados, as anomalias detetadas e as medidas corretivas a adotar;
e) Elaborar o plano de gestão de riscos de corrupção e infrações conexas e os respetivos
relatórios anuais de execução.
3 — A direção do serviço de auditoria interna compete a um auditor interno, que exerce as
respetivas funções pelo período de três anos, renovável por iguais períodos, até ao limite
máximo de três renovações consecutivas ou interpoladas e que é apoiado tecnicamente nas
suas funções por um máximo de três técnicos auditores.
4 — O auditor interno é recrutado pelo conselho de administração, de entre individualidades
que reúnam os seguintes requisitos:
a) Qualificação técnica, competências e experiência em auditoria;
b) Inscrição no organismo nacional que regule a atividade de auditoria interna.
5 — Os técnicos que integrem o serviço de auditoria interna devem possuir curso superior
adequado ao exercício das suas funções.
6 — Não pode ser recrutado como auditor interno ou técnico do serviço de auditoria interna
quem tenha exercido funções de administração no próprio hospital E. P. E., nos últimos três
anos, ou em relação ao qual se verifiquem outras incompatibilidades e impedimentos previstos
na lei, sendo aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto no artigo 414.º-A do Código
das Sociedades Comerciais.
7 — O auditor interno exerce as respetivas funções a tempo inteiro, de acordo com as normas
internacionais para a prática profissional de auditoria interna e gestão de riscos.
8 — O conselho de administração comunica à Administração Central do Sistema de Saúde, I.
P. (ACSS, I. P.), à Direção -Geral do Tesouro e Finanças, à Inspeção –Geral das Atividades em
Saúde (IGAS) e à Inspeção -Geral de Finanças a identidade do auditor interno e as datas de
início e termo de funções.
9 — A não renovação ou cessação antecipada de funções do auditor interno, ocorre por
deliberação fundamentada do conselho de administração, precedida de comunicação ao
membro do Governo responsável pela área da saúde, oude quem, para o efeito, detenha
poderes delegados.
10 — A retribuição mensal ilíquida do auditor interno, incluindo suplementos remuneratórios,
não pode ser superior a 85 % do vencimento mensal ilíquido estabelecido para o vogal do
conselho de administração.
11 — No âmbito da sua atividade, o serviço de auditoria interna colabora com a ACSS, I. P., e
a IGAS.
12 — O plano anual de auditoria e o relatório anual de auditoria são aprovados e submetidos
pelo conselho de administração às entidades referidas no n.º 8, respetivamente, até 15 de
dezembro e 15 de março de cada ano.
13 — O plano de gestão de riscos de corrupção e infrações conexas e os respetivos relatórios
anuais de execução são aprovados e submetidos pelo conselho de administração ao conselho
de prevenção da corrupção e aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças
e da saúde.
14 — O serviço de auditoria interna depende, em termos orgânicos, do presidente do conselho
de administração.
15 — No sentido de obter informação adequada para o desenvolvimento das suas
competências, o serviço de auditoria interna tem acesso livre a registos, documentação,
computadores, instalações e pessoal do hospital, com exceção dos registos clínicos individuais
dos utentes.

Artigo 20.º
Sistema de controlo interno e de comunicação
de irregularidades
1 — O hospital E. P. E., dispõe de um sistema de controlo interno e de comunicação de
irregularidades, competindo ao conselho de administração assegurar a sua implementação e
manutenção e ao auditor interno a responsabilidade pela sua avaliação.
2 — O sistema de controlo interno compreende o conjunto de estratégias, políticas, processos,
regras e procedimentos estabelecidos no hospital E. P. E., com vista a garantir:
a) Um desempenho eficiente da atividade que assegure a utilização eficaz dos ativos e
recursos, a continuidade, segurança e qualidade da prestação de cuidados de saúde, através
de uma adequada gestão e controlo dos riscos da atividade, da prudente e correta avaliação
dos ativos e responsabilidades, bem como da definição de mecanismos de prevenção e de
proteção do serviço público contra atuações danosas;
b) A existência de informação financeira e de gestão que suporte as tomadas de decisão e os
processos de controlo, tanto no nível interno como no externo;
c) O respeito pelas disposições legais e regulamentares aplicáveis, bem como pelas normas
profissionais e deontológicas aplicáveis, pelas regras internas e estatutárias, regras de conduta
e de relacionamento, orientações tutelares e recomendações aplicáveis de entidades externas
como o Tribunal de Contas.
3 — O sistema de controlo interno tem por base um adequado sistema de gestão de risco, um
sistema de informação e de comunicação e um processo de monitorização que assegure a
respetiva adequação e eficácia em todas as áreas de intervenção.
4 — Mediante proposta do serviço de auditoria interna, deve ser aprovado pelo conselho de
administração do hospital E. P. E., um regulamento que defina as regras e procedimentos de
comunicação interna de irregularidades, através do qual possam ser descritos factos que
indiciem:
a) Violação de princípios e disposições legais, regulamentares e deontológicas por parte dos
membros dos órgãos estatutários, trabalhadores, fornecedores de bens e prestadores de
serviços no exercício dos seus cargos profissionais;
b) Dano, abuso ou desvio relativo ao património do hospital E. P. E., ou dos utentes;
c) Prejuízo à imagem ou reputação do hospital E. P. E.

SECÇÃO IV
Conselho consultivo
Artigo 21.º
Composição do conselho consultivo
1 — O conselho consultivo tem a seguinte composição:
a) Uma personalidade de reconhecido mérito, nomeada pela Comunidade Intermunicipal ou
pela Área Metropolitana onde se situe a sede dos respetivos centros hospitalares ou dos
respetivos hospitais, que preside;
b) Uma personalidade de reconhecido mérito, nomeada pelo membro do Governo responsável
pela área da saúde;
c) Um representante da respetiva Administração Regional de Saúde;
d) Um representante dos utentes, designado pela respetiva associação ou por equivalente
estrutura de representação;
e) Um representante eleito pelos trabalhadores do hospital E. P. E.;
f) Um representante dos prestadores de trabalho voluntário no hospital E. P. E., entre estes
eleito, quando existam;
g) Dois elementos, escolhidos pelo conselho de administração do hospital E. P. E., que sejam
profissionais de saúde sem vínculo ao mesmo.
2 — Compete ao presidente do conselho consultivo promover a designação dos respetivos
membros.
3 — Os membros do conselho de administração e do órgão de fiscalização podem ter assento
no conselho consultivo, sem direito de voto.
4 — O mandato dos membros do conselho consultivo tem a duração de três anos, sem
prejuízo da possibilidade da sua substituição, a todo o tempo, pelas entidades que os
designaram ou elegeram.
5 — O exercício do cargo de membro do conselho consultivo não é remunerado, sendo as
ajudas de custo a que houver lugar suportadas pelos organismos públicos que designaram os
seus representantes e, nos restantes casos, suportadas pelo hospital E. P. E.

Artigo 22.º
Competências do conselho consultivo
Compete ao conselho consultivo:
a) Apreciar os planos de atividade de natureza anual e plurianual;
b) Apreciar todas as informações que tiver por necessárias para o acompanhamento da
atividade do hospital E. P. E.;
c) Emitir recomendações tendo em vista o melhor funcionamento dos serviços a prestar às
populações, tendo em conta os recursos disponíveis.

Artigo 23.º
Funcionamento do conselho consultivo
1 — O conselho consultivo reúne, pelo menos, uma vez por semestre e as suas deliberações
são tomadas por maioria simples e constam de ata, tendo o presidente voto de qualidade.
2 — As reuniões são convocadas pelo presidente com a antecedência mínima de cinco dias
úteis, devendo ser indicados na convocatória a data, a hora e o local em que se realizam, bem
como a respetiva ordem de trabalhos.
3 — Se à hora indicada não existir quórum, a reunião efetua -se uma hora depois, podendo o
conselho deliberar por maioria dos votos dos membros presentes.
4 — As demais regras de funcionamento do conselho consultivo são definidas em regulamento
próprio, o qual deve incluir a previsão da substituição dos seus membros em situações de falta
ou impedimento.

SECÇÃO V
Comissões de apoio técnico
Artigo 24.º
Comissões de apoio técnico
1 — As comissões de apoio técnico são órgãos de caráter consultivo que têm por função
colaborar com o conselho de administração, por sua iniciativa ou a pedido daquele, nas
matérias da sua competência.
2 — Em cada hospital E. P. E., são constituídas:
a) A comissão de ética;
b) A comissão de qualidade e segurança do doente;
c) O grupo de coordenação local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de
Resistência aos Antimicrobianos;
d) A comissão de farmácia e terapêutica.
3 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, podem ser criadas pelo conselho de
administração outras comissões de apoio técnico que, nos termos da lei, da atividade do
hospital e da legis artis, se justifiquem, devendo a sua estrutura, composição e funcionamento
constar do regulamento interno.
4 — Compete ao conselho de administração, sob proposta do diretor clínico, a designação do
presidente e dos membros das comissões de apoio técnico.

CAPÍTULO III
Avaliação, controlo e prestação de contas
Artigo 25.º
Instrumentos de gestão previsional
A gestão financeira e patrimonial do hospital E. P. E., rege -se, designadamente, pelos
seguintes instrumentos de gestão previsional:
a) Planos de atividades anuais e plurianuais, de investimento e financeiros, com um horizonte
de três anos;
b) Orçamento anual de investimento;
c) Orçamento anual de exploração, desdobrado em orçamento de proveitos e orçamento de
custos;
d) Orçamento anual de tesouraria;
e) Balanço previsional;
f) Contratos-programa externos;
g) Contratos-programa internos.

Artigo 26.º
Reservas e fundos
1 — O hospital E. P. E., deve fazer as reservas julgadas necessárias, sem prejuízo da
obrigação relativa à existência de:
a) Reserva legal;
b) Reserva para investimentos.
2 — Uma percentagem não inferior a 20 % dos resultados de cada exercício apurado de
acordo com as normas contabilísticas vigentes é destinada à constituição da reserva legal.
3 — A reserva legal pode ser utilizada para cobrir eventuais prejuízos de exercício.
4 — Integram a reserva para investimentos, entre outras receitas:
a) A parte dos resultados apurados em cada exercício que lhe for anualmente destinado;
b) As receitas provenientes de comparticipações, dotações, subsídios, subvenções ou
quaisquer compensações financeiras de que o hospital E. P. E., seja beneficiário e destinadas
a esse fim.
5 — Sem prejuízo da constituição das reservas referidas no n.º 1, os resultados de cada
exercício têm o destino que venha a ser determinado por despacho dos membros do Governo
responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde.

Artigo 27.º
Contabilidade
O hospital, E. P. E., adota o sistema contabilístico que lhe for aplicável por lei.

Artigo 28.º
Documentos anuais de prestação de contas
Os instrumentos de prestação de contas do hospital E. P. E., a elaborar anualmente com
referência a 31 de dezembro de cada ano, são, designadamente, os seguintes:
a) Relatório de gestão e contas do exercício;
b) Certificação legal de contas;
c) Relatório e parecer do conselho fiscal e do revisor oficial de contas ou do fiscal único,
consoante o modelo de fiscalização adotado.

Ficha Síntese