Lançamento do livro “A relação médico-doente: um contributo da Ordem dos Médicos” coordenado pelo Dr. José Poças

O livro “A relação médico-doente: Um contributo da Ordem dos Médicos” foi lançado no dia 25 de novembro, com um momento musical e depoimentos sobre a obra, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Esta obra coordenada pelo Dr. José Poças, Diretor do Serviço de Infeciologia do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS),inclui testemunhos de 81 autores, médicos e não médicos, e que pretende ser um contributo para a valorização e defesa do encontro entre médicos e doentes. Testemunhos de quem reconhece o valor intrínseco de uma relação milenar única que não pode ser subalternizada às estatísticas. O objetivo do livro, publicado pela editora By The Book, é “elevar esta relação milenar” a Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. “É antiga, com tradição firme, em constante transformação, mas renovada e sempre permanente”, é assim que o sociólogo António Barreto descreve a relação entre médico e doente, afirmando não haver equivalente, apesar de reconhecer outros intervenientes na área da saúde. António Barreto relembra ainda o juramento de Hipócrates, o mais antigo do mundo – com mais de 2500 anos –, que compromete estes especialistas a “tratar todos da mesma maneira”. Resultado de um esforço conjunto que se iniciou há um ano e meio, o médico José Poças, do Centro Hospitalar de Setúbal, esclarece que a obra “não será candidata a nenhum prémio”, o que não impossibilita que seja um projeto de “reflexão plural dos membros da classe e de outros membros relevantes para esta visão holística”. Baseado em valores de “coragem, isenção e celeridade”, o objetivo do livro só será “atendido se for compreendido pelos doentes e pelos decisores políticos” refere. Destacando o papel do médico como “defensor dos doentes”, cujo chamamento para “socorrer o seu semelhante” pode estar presente em todas as etapas da vida até à morte, José Poças assegura que a medicina é tanto arte como ciência, “é uma arte no modo de relacionamento, na anamnese e na abordagem das emoções, mas aspira a utilizar a ciência, não se reduzindo a ela”. No âmbito desta apresentação, foram ainda abordados alguns dos atuais desafios, entre eles destacam-se o impacto tecnológico na profissão e nos utentes, mais ávidos e exigentes no respeitante à informação, as pressões administrativas e burocráticas, o peso das medicinas alternativas, o sensacionalismo dos média, e a abundância de fontes não fidedignas de informação acessíveis facilmente. “A relação médico-doente está a sofrer uma pressão exagerada naquilo que é a produção de números, nomeadamente consultas e cirurgias, o que significa na prática dar pouco tempo aos médicos e doentes para conversarem. Isto é péssimo”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

 

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