11/11/2020

III Edição do Prémio GID

O Gabinete de Investigação e Desenvolvimento (GID) do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) promoveu a III edição do Prémio GID, referente ao melhor artigo publicado, em 2019. A Cerimónia de entrega contou com a presença do Diretor Clínico, Dr. Nuno Fachada, que destacou a importância da realização destas iniciativas que estimulam a investigação entre os profissionais do CHS. Neste contexto, foram submetidas 10 candidaturas e o primeiro prémio foi atribuído à Dra. Joana Carreira Silva (Medicina Interna). Assim, destacamos os vencedores e os respetivos resumos dos artigos premiados: 1º. Prémio - “Acute disseminated encephalomyelitis, a rare post-malaria neurological complication: case report and review of the literature” Carreira J, Casella MI, Ascenção BB, Luis NP, Gonçalves AC, Brito AP, Sá JE, Parreira M, Lopes D, Poças J.Travel Med Infect Dis. 2019 Mar-Apr;28:81-85. doi: 10.1016/j.tmaid.2018.03.005. Resumo: Há quatro complicações neurológicas descritas após o tratamento de malária, numa altura em que o doente já não apresenta parasitas em circulação: ataxia cerebelosa tardia, polineuropatia aguda inflamatória desmielinizante e encefalomielite disseminada aguda (EDA). Os autores descrevem o caso de um doente de 54 anos que apresentou um quadro de encefalopatia convulsões generalizadas quarenta e três dias após ter recuperado de malária aguda causada por Plasmodium falciparum. O diagnóstico de EDA foi estabelecido pelo início agudo dos sintomas, achados característicos na Ressonância Magnética Nuclear cerebral e pela resposta imediata à terapêutica corticosteróide. A EDA é uma doença autoimune desmielinizante do Sistema Nervoso Central que surge habitualmente após uma infeção ou vacinação. A sua incidência após infeção por malária é relativamente rara, havendo apenas outros 13 casos descritos na literatura.   2º. Prémio - “Epiretinal membrane negative staining and double peeling in a single block with Brilliant Blue G” Martins D, Neves P. Eur J Ophthalmol. 2018 Jan;28(1):112-116. doi: 10.5301/ejo.5000975 Resumo: A membrana epirretiniana (ME) é uma patologia ocular em que se desenvolve uma membrana celular translúcida, sobre a área central da retina, designada mácula. A mácula é a zona da retina onde se concentra maior número de células responsáveis pela visão de cores. Quando a membrana epirretiniana se contrai provoca uma alteração da retina, com distorção da visão. Esta patologia pode ocorrer primariamente (sem causa conhecida) ou ser secundária a trauma, diabetes ou trombose da veia da retina. Os autores descrevem a sua técnica cirúrgica para a remoção da membrana epirretinina. Nesta técnica é utilizado um agente corante (azul brilhante G), escolhido pela sua baixa toxicidade, que se vai fixar à lâmina limitante interna (estrutura da retina), corando-a de azul, não corando a ME. Posteriormente estas estruturas são removidas em bloco, minimizando a manipulação e traumatismos retinianos. O artigo apresenta os resultados desta técnica em 26 olhos (20 doentes), que teve sucesso em todos os procedimentos, sem complicações e sem recorrência de ME, com um seguimento mínimo de 12 meses.   3º. Prémio –ex-aequo  “Atrioventricular node reentrant tachycardia: remote magnetic navigation ablation versus manual ablation – impact on operator fluoroscopy time” Parreira L, Marinheiro R, Carmo P, Cavaco D, Reis-Santos K, Amador P, Teixeira T, Soares AS, Costa F, Adragao P. Rev Port Cardiol. 2019;38(3):187-192. doi: 10.1016/j.repc.2018.07.006. Resumo: A ablação por navegação magnética tem demonstrado benefícios na ablação de substratos de difícil acesso. O seu papel na ablação de arritmias simples tem sido estudado apenas em séries pequenas. O objetivo deste estudo foi comparar a ablação de taquicardia por reentrada intranodal com sistema de navegação magnética num centro em que todos os casos são efetuados com este sistema, com a ablação manual. Foram estudados 139 doentes consecutivos submetidos a ablação de taquicardia intranodal com sistema de navegação magnética por um único operador que foram comparados com um grupo de 101 doentes submetidos a ablação manual pelo mesmo operador no mesmo período, noutro hospital. A técnica utilizada foi a mesma nos dois grupos. Comparou-se a taxa de sucesso e complicações, o tempo de procedimento, o tempo de fluoroscopia total e para o operador, o tempo de radiofrequência e a taxa de recidiva. Não se verificaram diferenças significativas em relação à taxa de sucesso ou complicações. O tempo de procedimento e o tempo de fluoroscopia foram semelhantes nos dois grupos, mas no grupo de navegação magnética o tempo de fluoroscopia para o operador foi significativamente inferior. A taxa de recidiva foi superior no grupo de ablação manual embora sem significado estatístico. A ablação de taquicardia intranodal com sistema de navegação magnética é exequível com uma metodologia sobreponível à técnica convencional. A taxa de sucesso e complicações é semelhante. No grupo com navegação magnética o tempo de fluoroscopia para o operador é significativamente mais baixo.   “Premature ventricular contractions of the right ventricular outflow tract: Upward displacement of the ECG unmasks ST elevation in V1 associated with the presence of low voltage areas      ” Parreira L, Marinheiro R, Carmo P, Amador P, Teixeira T, Cavaco D, Costa F, Reis Santos K, Adragao P. Rev Port Cardiol. 2019;38(2):83-91. doi:
10.1016/j.repc.2018.06.010 Resumo: A extrasistolia ventricular (ESV) frequente da camara de saída do VD (CSVD) é em geral uma patologia benigna e o ECG é tipicamente normal. O objectivo deste estudo é avaliar se o ECG efetuado no 2.° espaço intercostal (2.° EIC) permite detetar algum padrão anormal dada a maior proximidade com a CSVD. Estudámos 18 doentes consecutivos submetidos a ablação de ESV da CSVD, idade média 44±16 anos, 12 mulheres, com coração aparentemente normal. O ECG foi obtido na posição standard e repetido com as derivações V1 e V2 a nível do 2 EIC. Foi efetuado mapa eletroanatómico de voltagem bipolar (MEV). Foram estabelecidos como área de baixa voltagem (ABV) os eletrogramas com amplitude <1.5 mV. O ECG no 2.° EIC não mostrou alterações em 11 doentes, mas em sete (39%) observou-se um padrão de supradesnivelamento do segmento ST (supra ST) em V1. O MEV revelou a presença de ABV em seis doentes (33%), a qual incluía a zona de aplicação em cinco doentes. O supra ST em V1 associou-se com a presença de ABV (p<0,0001) e com ABV no local de ablação (p=0,002). Neste grupo de doentes com ESV da CSVD e coração aparentemente normal, a realização do ECG no 2.° EIC permitiu identificar a presença de supra ST em V1 em mais de um terço dos doentes que se associou com a presença de áreas de baixa voltagem na CSVD. Foto : Legenda;  Dra. Joana Carreira Silva (esq); Dr. David Martins (C) e Dra. Ana Leonor Parreira (dir) ler mais 
13/10/2020

Cardiopneumologistas do Hospital de São Bernardo em destaque no 25º. Congresso

Nos dias 9 e 10 de Outubro realizou-se o 25º Congresso Português de Cardiopneumologia, em formato virtual, que contou com a forte participação de Cardiopneumologistas do Centro Hospitalar de Setúbal. Destacamos a participação dos Cardiopneumologistas (da esquerda para a direita na fota) Catarina Rijo, Mafalda Silva, Catarina Santos, Joana Lobo, Bruno Santos e Tânia Duarte.   - Bruno Santos (Serviço de Cardiologia) – Moderação da mesa “Dominando a síncope” - Catarina Rijo (Serviço de Pneumologia) – Comunicação Oral “Padrão Ventilatório Inespecífico: avaliação por percentagens fixas versus limites da normalidade”, merecedora do primeiro prémio de melhor comunicação oral - Catarina Santos (Serviço de Urgência) – Casos Clínicos “Enfarte Agudo do Miocárdio Embólico – Um diagnóstico diferente” e “Alterações dinâmicas no Enfarte Agudo do Miocárdio”   - Joana Lobo (Serviço de Urgência) – Casos Clínicos “O sintoma “convulsão”“ e “Interação de fatores  para Torsade de Pointes: Alterações Eletrolíticas e Iatrogenia” - Mafalda Silva (Serviço de Pneumologia) – membro da Comissão Científica do Congresso; moderação da mesa “Para além dos 18 anos – Atualizações”; palestrante na sessão “Quiz Cardiopulmonar”     - Tânia Duarte (Serviço de Pneumologia) – Comunicação Oral “Novas equações de referência: O que muda no estudo da Capacidade de Difusão Alvéolo-Capilar?”, merecedora do segundo prémio de melhor comunicação oral. ler mais